Desocupação em Eldorado gera polêmica ao colocar prefeitura e morador em lados opostos

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Justiça autoriza desocupação e prefeitura quer construir UVR, placas solares e viveiro de mudas no local que morador alega estar desde 2006

Jandaia Caetano/Tv Sobrinho

Uma desocupação vem gerando polêmica nos últimos dias em Eldorado. Um morador alega estar há 19 anos em uma área de sete hectares próxima ao bairro Cerâmica, residindo e cuidando da sua criação, viu a casa do local ser destelhada pela Secretaria Municipal de Obras, acompanhada de um oficial de justiça, e alega que a mulher e o cunhado e a mulher que moravam com eles foram levados embora: “Não sei pra onde”, diz Gemerson Pereira, de 45 anos.

A prefeitura e o vereador Valdeir Lopes (Podemos), que mora na região, negam que Gemerson morasse no local e que ele tem apenas as suas criações (animais) na propriedade. O homem trabalha em uma granja em frente ao local e diz que tem somente uma casa no bairro Cerâmica, onde sua filha de 18 anos e sua neta moram. Ele é pai de outros três filhos.

Após a repercussão, a prefeita Fabiana Lorenci (PP) gravou um vídeo na rede social informando que a doação definitiva do local pela União ao município veio neste ano, “amarrada a uma única finalidade: a construção de uma Unidade de Valorização de Recicláveis”.

“O dinheiro da obra em parceria com a Itaipu já está na conta da prefeitura e a gente tem prazo (um ano)”, cita a prefeita, que também apontou para a propriedade a implantação de placas solares e de um viveiro de mudas.

Prefeita diz que município não disponibiliza de nenhum local para ‘permutar’

Gemerson afirmou que aceita sair da propriedade por uma terra para pôr suas criações. Ele diz ter três cavalos, 14 cabeças de gado, quatro de porco e galinha. A prefeita informou que “no momento o município não disponibiliza de nenhum local” para oferecer ao cidadão. Um vereador escutado, que pediu sigilo, diz que a desocupação foi mal feita e que haveria formas de negociar com o cidadão. “O ego é muito grande”, citou o parlamentar.

Gemerson, conhecido como Caverna, alega ter entrado no local em 2006 quando ela ainda pertencia a Alcides Grejainim, falecido em 2018 e conhecido como o maior contrabandista de cigarros do país em 2010. O Sítio do Polaco se tornou Chácara São Carlos, foi expropriado à União em 2008 e cedido para uso à prefeitura em 2013. Na ocasião, Gemerson teve uma vitória parcial na Justiça, autorizando-o a ficar no local provisoriamente. Na sequência, enfrentou autorizações judiciais para a desocupação, em 2013, 2014 e 2015, com a prefeitura anunciando a intenção de fazer um projeto habitacional de 166 moradias na propriedade. Na época o município era administrado pela prefeita Marta Araújo.

O projeto das casas não saiu do papel para o local e o terreno voltou para a União. No ano passado, o contrato de doação definitiva para o município foi assinado entre a Superintendência de Patrimônio da União no estado e a prefeitura de Eldorado, então administrada por Aguinaldo Santos (Léo). A doação oficial ocorreu neste ano e com o prazo para a construção correndo a prefeitura entrou com ação na Judiciário e teve ganho de causa.

O documento de reintegração de posse em favor do município dava a Gemerson o direito de recorrer em 15 dias. A Defensoria Pública protocolou o pedido de suspensão da liminar. Gemerson permanece no local e tenta cobrir a casa novamente, mas pode se deparar com uma nova ação da prefeitura a qualquer momento, já que até o fechamento da matéria a liminar de reintegração de posse permanece válida.

Veja abaixo os vídeos completos utilizados nesta reportagem:

Germerson Pereira, morador do local –

Vereador Valdeir Lopes (Podemos) – 

Prefeita Fabiana Lorenci (PP) –

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