Com 415,569 toneladas de materiais reciclados, renda dos catadores ultrapassou salário mínimo a partir de abril do ano passado
Veja acima entrevista com coordenadora da Coleta Seletiva e mais abaixo relato emocionante da história de vida de Zé Gato, presidente dos Catadores
Carina Yano –
O consumo e a geração de resíduos sólidos acontecem diariamente na vida de cada integrante neste planeta. O destino final deste material, que por vezes dá a impressão de ‘desaparecer’ ao coloca-lo para fora de casa, faz parte de inúmeros processos envolvidos.
A Unidade de Valorização de Recicláveis (UVR), em Mundo Novo, recebeu 415,569 toneladas de material reciclado em 2024 – a meta foi alcançada com a expectativa de receber, em média, 30 toneladas por mês.
A renda dos catadores aumentou, variando entre R$ 1.500 a R$ 2.000 – chegando a R$ 2.691 em dezembro –, ultrapassando o salário mínimo no Brasil. Único mês de baixa foi em março, com R$ 748,00 para cada catador. No total, são 14 catadores trabalhando na UVR.
O mês de novembro foi o mais expressivo, alcançando 51,295 toneladas; porém, a renda dos catadores foi inferior em comparação ao mês de dezembro (38 toneladas).
A coordenadora da Coleta Seletiva, Jaqueline Meireles, explicou que em novembro a maioria do que foi pesado era vidro – material considerado mais barato. Já em dezembro, a pesagem incluía o lixo eletrônico, papelão, plástico e latinhas.
Já em 2023, o ano foi concluído com 282,082 toneladas de resíduos sólidos. Meireles informou que nesta época, até no mês de julho, a renda dos catadores não chegava a R$ 1.000. A partir de agosto, até o final de 2023, a renda alcançou uma média de R$ 1.300.
Jaqueline citou que a tendência é dar uma ‘caída’ nos preços dos materiais em janeiro e fevereiro deste ano. Um dos fatores inclui o tipo e a qualidade do material que chega na UVR e a demanda e oferta no mercado e nas indústrias. A meta para 2025 é alcançar 49 toneladas por mês.
Em março de 2024, uma radiografia feita pela 2ª edição dos ‘Indicadores de Resíduos Sólidos nos municípios de MS’, do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de MS), apontou que dos 73 municípios, 43 aderem a coleta seletiva.
Destino final do Lixo Comum
A separação do lixo comum (de cozinha e de banheiro) do material reciclado também está interligado com a renda dos catadores – além, das questões ambientais, como a contaminação do solo, da água e do ar e proliferação de doenças.
Em 2023, aconteceu a inauguração da Estação de Transbordo, na antiga UPL (Usina Processadora de Lixo). O local com containers deve receber o lixo comum e ser destinado para a Oca Ambiental em Dourados, para o aterro sanitário.
O descarte incorreto também implica no setor financeiro do município. Na gestão anterior (2017/2020), o município pagava mais de 300 mil reais por ano, ou seja, 30 mil por mês para aterrar lixo.
A estação ainda não entrou em funcionamento. Segundo Jaqueline Meireles, a licença ambiental deve sair em breve.
Expressão do Lixo ao Luxo tem longa jornada
José Rodrigues, de 73 anos, mais conhecido como ‘Zé Gato’, trabalha como catador a mais de 30 anos. Entrou na UVR logo no início das operações como presidente da Associação de Catadores Mundonovenses.
Além de ser catador na UVR, também continua trabalhando de forma autônoma.
“Durante o período onde eu trabalhava somente na minha casa, sempre tive vontade de ter uma prensa. Cheguei até sonhar com uma e resolvi construir uma de madeira. Dessa forma fui trabalhando, até juntar um dinheiro e comprar uma prensa especializada”
citou José.
“Nisso eu comecei a vender pra vários lugares na região. Tinha muitos bags na minha casa. Até hoje faço esse trabalho depois que saio da UVR”
complementou.
Ele ainda citou que começou a construir sua casa de material em 2017. Em outra realidade, já chegou a morar em baixo de lona.
“Decidi fazer um empréstimo para começar a construir minha casa no bairro São Jorge. O começo foi somente com a renda de catador. Uma parte da minha aposentadoria estava sendo utilizada para pagar o empréstimo”
declarou ‘Zé Gato’.
Considerado alguém que já ‘trabalhou de tudo’, ‘Zé Gato’ também construiu uma família com sua esposa e cinco filhos, atualmente morando com apenas um.
“Minha esposa me ajudou a vida inteira, agora ela está em casa com problema de saúde. Querendo ou não, o aumento da renda na UVR já ajuda um pouco. Agora preciso pagar o tratamento dela.”
Em relação casa, ela ainda não foi concluída.
“Meus filhos não acreditavam que eu ia construir a casa. Tem que ter fé, plantar e confiar em Deus”, completou ‘Zé Gato’.
José Rodrigues também foi um dos primeiros a plantar árvores no Refúgio Biológico Maracajú, durante 25 anos – área de preservação de 1.400 hectares que integra dois países – Brasil e Paraguai – e os municípios de Mundo Novo e Salto Del Guairá.
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