STF discute soluções para impasse em demarcação de terras indígenas

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Governador de Mato Grosso do Sul defende equilíbrio entre direitos de indígenas e pequenos produtores em audiência sobre o Marco Temporal

 

Na quarta audiência de conciliação sobre a Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023), realizada na segunda-feira (23), pelo STF, nove especialistas se reuniram para discutir propostas voltadas à indenização e demarcação de terras indígenas.

O governador Eduardo Riedel participou da reunião, representando os estados na comissão especial.

Ele destacou que o processo de demarcação, embora legítimo, tem deixado de considerar todas as partes interessadas, causando conflitos, especialmente entre os pequenos produtores.

A reunião buscou encontrar soluções que garantam segurança jurídica e proteção tanto para os indígenas quanto para os produtores rurais.

Riedel enfatizou que muitos conflitos têm origem na falta de clareza e planejamento nas etapas de demarcação de terras.

Ele defendeu que, em Mato Grosso do Sul, boa parte dos títulos de terras foi obtida legalmente e com boa fé, o que agrava a situação de incerteza.

O governador afirmou que o sofrimento é compartilhado tanto pelas comunidades indígenas, que veem suas expectativas frustradas, quanto pelos produtores, muitos deles pequenos agricultores que enfrentam instabilidade em relação às suas propriedades.

Durante a audiência, também foi apresentada a proposta de utilizar terras expropriadas por tráfico de drogas para reassentar produtores que aceitarem devolver suas terras em territórios indígenas à União.

A ideia foi sugerida pelo ministro Gilmar Mendes, relator das cinco ações relacionadas ao Marco Temporal, e será discutida pela comissão especial.

Essa alternativa poderia oferecer uma solução viável para a questão fundiária em algumas regiões, respeitando os direitos de ambas as partes.

O Marco Temporal, que define que os povos indígenas só teriam direito às terras que ocupavam até a promulgação da Constituição de 1988, foi derrubado pelo STF em setembro de 2023.

No entanto, o Congresso restabeleceu o marco com a Lei 14.701/2023, o que gerou uma série de ações contestando sua validade.

O STF continua a analisar as implicações da lei, buscando uma solução que garanta a coesão institucional e respeite os direitos das comunidades indígenas e dos produtores rurais.

Fonte: Vivianne Nunes
Capital News

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