Lucas Braathen troca Noruega pelo Brasil por ouro olímpico no esqui: ‘Vou carregar a bandeira’

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Fã de Ronaldinho e samba, campeão mundial no gelo muda de lado pela mãe, se inspira no futebol e vê missão social com comunidades

 

Sem qualquer tradição nos esportes no gelo, o Brasil ganhou um reforço de peso para os próximos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão em 2026: Lucas Pinheiro Braathen, campeão mundial de slalom no esqui alpino pela Noruega, passou a vestir o verde-amarelo há um mês.

Por conta da mãe, que é de Campinas (SP), Pinheiro Braathen migrou do potente time norueguês para a seleção brasileira.

Fã de samba e bossa nova, modelo e DJ nas horas vagas e dono de “músculos e jeitinho brasileiros”, Braathen conversou com o R7 direto de Lillehammer, na Noruega, palco dos Jogos Olímpicos de Inverno em 1994.

O atleta detalhou a conversa com o pai norueguês quando resolveu mudar de bandeira e resgatou as raízes brasileiras que ainda tem no interior paulista.

Pinheiro Braathen revelou também que quer usar o esqui alpino como catalisador social nas comunidades brasileiras, apontou Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Neymar como ídolos e explicou como o futebol o inspirou para se tornar um dos principais esquiadores no gelo do mundo.

A partir de julho, o norueguês-brasileiro terá a oportunidade de levar as cores do país ao pódio e já adianta que uma medalha olímpica no gelo é a meta: “Quero carregar a bandeira brasileira para o top 3 nos Jogos Olímpicos. Posso representar 200 milhões”.

R7 — Você é bicampeão mundial júnior, medalhista de bronze no campeonato mundial de esqui alpino e foi campeão do mundo em 2023 na categoria slalom. Você é filho de mãe brasileira e pai norueguês. Como é essa relação com o Brasil?

Lucas Braathen — Viajo para o Brasil uma vez por ano.

Faço isso para encontrar minha família no Brasil, já que metade dela, do lado da minha mãe, continua em Campinas.

Então vou para visitá-los. […] Mas teve um período de seis meses em que morei no Brasil, quando eu ainda era criança.

Quando comecei com o esqui, precisava de mais tempo de dedicação, então, passei a ir a cada 2 anos.

Mas, nos últimos três anos, eu voltei a viajar uma vez por ano ao Brasil.

Acho que só sou atleta e a pessoa que sou hoje pelo meu lado brasileiro.

No esqui, como todo mundo é dos Estados Unidos, da Europa, da Ásia, acho que sou o único que pode trazer o jeito brasileiro para um esporte de inverno.

O esqui alpino é a Fórmula 1 do esporte de inverno.

Sou muito orgulhoso de levar a bandeira brasileira para esse esporte.

R7 — Para tomar essa decisão de defender o Brasil, você levou um tempo, houve um hiato, um intervalo em que você tirou um período sabático. Você parou de competir pela Noruega e agora está entrando no time brasileiro. Como foi esse processo? Mexeu muito com a sua cabeça?

Braathen — Claro, foi um processo muito intenso, já que eu estava fora do esporte que eu mais amo.

Via competição na televisão, e isso foi muito difícil.

Quero fazer ‘parte do show’. Para mim, o esporte um show, é uma dança.

Eu estava vendo a dança, mas não estava dançando.

Isso foi muito difícil.

Diante disso, procurei meus patrocinadores e perguntei em janeiro: ‘Gente, o que vocês acham de eu voltar para o esporte?

O que vocês pensam?’

Eles disseram: ‘Claro, nós estamos aqui para te ajudar.

A gente quer te ver na pista de novo.

É ali onde você mora’. Aí, eu disse que a gente poderia ir para o time brasileiro e escrever a história.

A gente pode trazer a bandeira brasileira para o esporte, para os Jogos Olímpicos.

O que vocês acham?

Eles disseram: ‘Fechou, vamos nessa’.

Junto com meu pai, ligamos para a federação de esqui no Brasil.

Eu estava em São Paulo, encontramos eles e achamos um jeito de fazer isso, de escrever a história.

Quando eu soube disso, no meio de janeiro, comecei a trabalhar todo dia para criar esse novo time, arrumar novos patrocinadores, tudo o que é preciso para carregar a bandeira brasileira.

R7 — Na situação atual, os resultados dos brasileiros são modestos em Jogos de Inverno, não são bons. Em 2014, o Brasil conseguiu, por exemplo, a 39ª posição no slalom especial. Você foi campeão do Globo de Cristal no slalom gigante pela Noruega. Dá para repetir esse resultado com a bandeira do Brasil nos Jogos de Milão, em 2026?

Braathen — Claro, esse é o objetivo.

Quero carregar a bandeira brasileira para o top 3 nos Jogos Olímpicos.

Essa é a coisa que ninguém conseguiu ainda.

Acho que esse é o jeito para mostrar para todo mundo no Brasil que você pode fazer tudo o que você quer.

Quero ser essa inspiração para a próxima geração, não importa se é um esporte de inverno, futebol ou um artista.

Eu só quero mostrar meu jeito para ganhar o que quiser ganhar para um brasileiro num esporte de inverno, que é uma coisa muito estranha.

Esse objetivo representa uma inspiração para outros.

Minha história no esporte é essa.

Não comecei com o esqui quando eu era criança. Não gostava nada.

Achava horrível, porque é frio, você usa botas, as pernas doem, eu não gostava.

Eu gostava de futebol.

Meu amor pelo esporte começou por causa do futebol no Brasil, quando eu jogava com meus primos e outras crianças que moram em São Paulo.

Então, foi o futebol, o jeito brasileiro, essa cultura que me mostrou o amor que existe no esporte.

Essa sempre foi a atmosfera que eu quis trazer para o esporte de inverno quando eu me tornei esquiador.

Agora, o círculo está completo porque voltei aonde eu achei meu amor pelo esporte e posso praticar na Copa do Mundo do esporte com essa bandeira.

R7 — Vejo ao seu lado uma camiseta e um pôster do Alaba [lateral-esquerdo austríaco do Bayern]. Você é torcedor do Bayern de Munique?

Braathen — Meu time favorito é o Manchester United na Premier League.

Mas o Bayern de Munique é especial também porque é um local de esquiadores na Alemanha.

Os esquiadores têm uma relação muito forte com o Bayern de Munique.

E acho muito legal o David Alaba, da Áustria, que não é um país com tradição em formar grandes jogadores de futebol.

Mas o Alaba conseguiu chegar no primeiro time do Bayern de Munique.

É um jogador preto [que representa a comunidade] da Áustria, isso é muito legal.

Ele é ótimo. No Brasil, meu time é o São Paulo.

R7 — A partir de 1º de julho, sua situação estará regularizada. Mas a partir de quando você poderá efetivamente defender as cores do Brasil?

Braathen — Vai ser na Copa do Mundo em Sölden, na Áustria, em outubro.

Vai ser a primeira Copa do Mundo em que eu vou poder carregar a bandeira brasileira.

Mas, talvez, eu vá para a Nova Zelândia antes, no fim de agosto, para competir em torneios internacionais, mas não no nível de Copa do Mundo.

Vou para competir para treinar, ter a situação de competição.

A primeira Copa do Mundo será no fim de outubro, vai ser a primeira chance na televisão para mostrar as cores brasileiras.

R7 — Falando da Nova Zelândia, onde é sua base? Você mora na Noruega?

Braathen — Não estou morando mais na Noruega.

No fim de 2023, aluguei meu apartamento na Noruega e fui para o Brasil.

Fiquei até o Natal, quando fui para Roma.

Agora, tenho um apartamento de esqui na Áustria, que fica bem perto das montanhas.

Fica nos arredores de Innsbruck.

É onde eu treino.

Também treino em Salzburg, onde faço testes físicos e treinos.

No esporte de esqui, você viaja muito para países no centro da Europa, como Itália, Suécia, Alemanha, Áustria.

Também vou para Califórnia e Colorado, nos Estados Unidos.

Os últimos Jogos Olímpicos foram em Pequim.

É um esporte mundial, mas minha base é na Áustria.

Fonte:R7

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