Afastamentos por doenças mentais no trabalho crescem cerca de 40% em 2023, aponta INSS

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Relaxamento guiado_Unimed

Médica psiquiatra alerta para importância do cuidado pessoal e que qualidade de vida dos empregados também é vantajosa para as empresas

Dados do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) de janeiro deste ano revelam que o número de afastamentos e aposentadorias por transtornos mentais em 2023 cresceu quase 40% em relação ao ano anterior, o que gerou quase 290 mil benefícios por algum tipo de incapacidade relacionada à saúde mental. No mês dedicado às discussões sobre saúde e segurança no trabalho, o Abril Verde, os dados revelam que a saúde mental do brasileiro no ambiente corporativo não está nada bem e acende alerta para o problema.

Para a Dra. Graziela Michelan, psiquiatra da Unimed Campo Grande, a sobrecarga no trabalho faz com que os trabalhadores dediquem ao máximo suas energias para atender às demandas laborais, não conseguindo encontrar meios para o descanso, recuperação, autocuidado e equilíbrio, o que gera adoecimento. “Por isso, é importante compreender que os trabalhadores não são super-heróis e não devem ser vistos como tal. Eles são seres humanos que sofrem e adoecem quando expostos à sobrecarga física ou emocional no trabalho”, afirma.

Cuidados – A psiquiatra explica que um ambiente de trabalho saudável favorece a qualidade de vida dos empregados e também é uma medida vantajosa para as empresas. Afinal, funcionários saudáveis e satisfeitos são muito mais produtivos. “Em primeiro lugar, as empresas precisam abordar e fornecer informações sobre a saúde mental sem tabus. Criar uma rotina na empresa onde se estimule as interações sociais e as atividades físicas. Oferecer psicoterapia como benefício e treinar suas lideranças para saber identificar quando algum colaborador está sofrendo com o estresse ou algum problema de saúde mental”, explica.

Uma das doenças mais comuns no meio de trabalho é o burnout, termo em inglês que significa esgotamento. É um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho.

“O indivíduo que está com burnout sente uma exaustão extrema, esgotamento físico e perda de propósito (distanciamento e despersonalização) com o trabalho. Ele é ocasionado pelo excesso de trabalho e por um trabalho extremamente estressante. É necessário procurar ajuda profissional quando há sensação de não conseguir descansar ou relaxar nas horas vagas, não há prazer nas atividades de lazer, os pensamentos negativos de incapacidade e frustração são muito constantes e o trabalho não o motiva, ao contrário, causa sensação de pânico, desespero ou tristeza”

orienta a Dra. Graziela Michelan.

Números preocupantes – Esta grave situação no ambiente de trabalho já havia sido alertada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em seu relatório anual, divulgado em 2022. Segundo a entidade, há um considerável aumento de diagnósticos de depressão ou ansiedade no Brasil. São cerca de 11,5 milhões, maior número da América Latina, muitos destes adquiridos no mercado de trabalho.

Ainda segundo a médica psiquiatra, o crescimento das doenças ocupacionais está relacionado a fatores individuais como baixa autoestima, envolvimento emocional excessivo, impaciência ou perfeccionismo. “Também está relacionado a fatores socioeconômicos, como falta de suporte familiar e baixa remuneração, fatores organizacionais como baixa autonomia, rigidez na empresa, dificuldade de promoção, ambiente competitivo e pressão por produtividade. E a fatores laborais, como sobrecarga no trabalho, conflitos, comunicação ineficaz e intensas jornadas”, diz.

Iniciativas – Na cooperativa Unimed Campo Grande, em outubro do ano passado foi lançado o Programa de Saúde Mental, com o objetivo de criar ferramentas de suporte emocional para os colaboradores, desenvolver campanhas internas e indicadores de qualidade de vida, desmistificando a saúde mental.

O programa une terapia on-line, conteúdos interativos e suporte individual, para ajudar o colaborador a lidar com diferentes situações da vida e aumento da satisfação e engajamento junto à empresa, unindo o alinhamento de propósito de vida pessoal e profissional.

“Foi uma iniciativa com o objetivo de promover momentos de acolhimento, escuta e descompressão para os colaboradores, oferecendo um ambiente de trabalho seguro e saudável para todos. Tivemos ótimos resultados, como a redução das taxas de afastamentos, aumento da produtividade, melhora no clima organizacional, entre outros”, explica o diretor administrativo da Unimed CG, Filipe Vieira.

Jeito de Cuidar Unimed – Um movimento das Unimeds que conecta todos da cooperativa em torno do “cuidar” – que é a essência da marca, define um novo padrão de cuidado com a saúde e com o bem-estar das pessoas, proporcionando uma experiência positiva e única aos beneficiários, clientes e à comunidade em geral.

Fonte: Neusa Pavão Duarte

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