Solenidade de Corpus Christi, sacramento do amor e da real presença

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Arquivo Pessoal/Divulgação Willian Guimarães

Amando-nos até o fim, Cristo encontrou um meio singelo e fácil de estar para sempre com os seus amigos, pela instituição da. Eucaristia, que é presença permanente de Jesus entre aqueles que Ele ama, é o maior e mais belo dom do Seu amor que, ao longo da sua história, a Igreja soube honrar e reconhecer, sobretudo na linda Solenidade de Corpus Christi.

Quem nunca viveu a admirável experiência de uma autêntica e bela amizade? Quem nunca desfrutou da presença de um amigo e encontrou nela refúgio e proteção? É próprio da amizade o apelo da companhia, e a afinidade entre amigos se torna mais viva quando se está perto.

Jesus nos amou assim, como um dileto amigo. Ele escolheu a relação mais nobre para nos dar do Seu Coração: a amizade. Ele tem para conosco a mais pura e verdadeira amizade. E o próprio Jesus se submeteu ao princípio que rege toda humana amizade: a real presença e proximidade. No auge do Seu amor e da Sua ternura, quis se fazer presente entre os Seus até o fim dos tempos, manifestando Sua glória e Sua vida divina, por meio do sacramento da Eucaristia.

Além de ser nosso alimento diário, a Igreja tem a festa do Santíssimo Corpo e Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos remete ao século XIII, tendo sua origem na Itália. Certa vez, em Bolsena, quando o padre Pedro de Praga celebrou uma missa, aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração.

Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, informado do milagre, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias à cidade. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou os fiéis caminhando na entrada de Orvieto, teria então pronunciado, diante da relíquia eucarística, as palavras: Corpus Christi.

Ainda hoje, conservam-se, em Orvieto, os corporais e também a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue. O próprio Papa Urbano IV instituiu, oficialmente, a solenidade de Corpus Christi, em 1264. É uma celebração em que se permite a procissão com o Santíssimo Sacramento pelas ruas e praças das cidades.

Nesse dia, a missa deve ser celebrada com tons de solenidade. Após a Missa, forma-se a procissão solene do Santíssimo Sacramento que se encerra com a bênção do Santíssimo. No Brasil, há uma bela tradição de se enfeitar os locais por onde passa a procissão com belos e criativos tapetes que contêm figuras que exaltam a Eucaristia.

Essa é a festa da presença amorosa de Jesus com seu povo, pois a Eucaristia é o sacramento do amor por excelência. Sendo próprio do amor a proximidade e o rebaixamento, é mais do que justo reconhecer em tal sacramento um “amor que supera todos os amores no céu e na terra” (São Bernardo).

O rebaixar-se para levantar a quem se ama é uma dimensão profunda do amor, também presente na Eucaristia. Nesse sacramento, Jesus se rebaixa, esvazia-se de sua divindade e de sua humanidade, torna-se frágil e vulnerável em nossas mãos, para nos “levantar”. Um mistério de fé e de amor que se renova, todos os dias, nos altares do mundo inteiro, e que merece todos os anos uma festa tão bela, para honrar e amar Àquele que é a razão da nossa fé e o alimento daqueles que neste mundo vivem a caminho da eternidade.

 

 

*Padre Willian Guimarães; Membro da comunidade Canção Nova e celebrará pela primeira vez a festa de Corpus Christi como padre. Sua ordenação aconteceu no último domingo (12/06/22), no Santuário do Pai das Misericórdias, na Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP);

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