Frio exige urgência nas doações, por Wilson Aquino

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Com todo respeito às pessoas, entidades, e organismos públicos e privados, que desde o primeiro trimestre do ano vêm desenvolvendo campanhas de arrecadação de cobertores e agasalhos para doação aos mais pobres, Porém, como o frio não espera as formalidades legais desse processo (final da campanha, contabilização dos itens arrecadados e somente depois a distribuição) isso precisa mudar e fazer com que na medida em que as arrecadações chegam, a distribuição seja automática.

De maneira “industrial” evita-se o sofrimento de famílias e de moradores de rua e até salva vidas que podem ser ceifadas pela violenta queda de temperatura como a que se deu esta semana em Mato Grosso do Sul, quando os termômetros atingiram menos de 5 graus.

Não dá para esperar acumular pilhas gigantescas de cobertores e agasalhos até o momento final, da fotografia, que vai registrar o resultado positivo de uma campanha, quando pessoas e famílias inteiras sofrem com as constantes quedas de temperatura.

Quantos não sofreram com o frio esta semana sem mais um cobertor em casa para adultos e crianças? E nas ruas então? aqueles que dormem em construções abandonadas, praças e outros logradouros públicos ou privados? Sofreram muito enquanto em diversos lugares da Capital e em cidades do interior estavam lá, pilhas e mais pilhas de casacos, moletons, meias, cobertores e acolchoados.

Ainda recordo de um fato lamentável e triste, ocorrido há mais de duas décadas, quando, numa mesma página de jornal estavam estampadas duas matérias que não se combinavam. A primeira, a notícia sobre o sucesso de uma campanha oficial de arrecadação de cobertores e agasalhos em Campo Grande. A primeira dama do município e o prefeito apareciam posados ao lado de um volume gigantesco de cobertores que quase atingia o teto de um grande galpão.

Intencional ou não, ao lado dessa matéria havia outra, com menor destaque, porém de grande impacto, sobre a morte de três pessoas, de Campo Grande, na fria madrugada da noite anterior naquele inverno que chegou mais cedo. Me recordo que guardei por muito tempo aquela página de jornal e sempre ponderei sobre a diferença que poderia ter feito na vida daquelas três pessoas se tivessem sido assistidas a tempo.

O frio é implacável. Dói e até mata. Só quem já passou por esse problema sabe bem como é terrível, especialmente na madrugada.

No final da década de 70, início de minha carreira no jornalismo, morando sozinho, enfrentei um duro inverno. Sem recursos suficientes para novas aquisições, achei que meu velho cobertor marrom seria suficiente para me aquecer naquela primeira madrugada de baixíssima temperatura. Não foi. Tive que improvisar, como muitas famílias sempre fizeram e certamente ainda fazem hoje, apelando para os lençóis e até toalhas e roupas, que espalhei lado a lado junto com os lençóis. Era preciso não se mexer muito para que as peças não caíssem para os lados.

No dia seguinte, depois de retornar do trabalho, trouxe comigo uma pilha de jornais velhos e um rolo de fita crepe que serviu para unir as páginas abertas, que viraram “acolchoado” com a utilização de dois lençóis. Ai então, meu velho cobertor marrom por cima de tudo foi suficiente para enfrentar aquele duro inverno. Esse e outros sofrimentos, fortaleceram meu caráter.

Como sabemos, hoje a crise econômica atinge em cheio a sociedade brasileira. O número de desempregados é grande e certamente há sim carência das famílias por cobertores e vestimentas adequadas para o inverno que promete ser rigoroso este ano. Daí a necessidade da solidariedade de todos e, consequentemente, da agilidade na sua distribuição.

Também nunca devemos nos esquecer a quem de fato estamos servindo com a caridade e amor ao próximo: A resposta está nas Escrituras Sagradas, como podemos ver em Mateus (25:37-40): “… Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos?” e o Senhor respondeu: “em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”.

 

 

*Wilson Aquino; Jornalista e Professor

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