A derrota de Dallagnol e o triunfo do aspirador de fatos

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Graças à investigação que Deltan Dallagnol liderou, sabemos muito sobre Lula. Antes, o ex-presidente já era conhecido como uma pessoa que eu, você e a maioria dos brasileiros não convidaríamos para conhecer nossa família. Depois do trabalho de sua equipe, ficou comprovado que o ex-presidente comandou uma quadrilha desmontada nas muitas fases e faces do escândalo conhecido como petrolão (que se estendeu por onde quer que os recursos federais andassem em volumes atraentes). É uma convicção que vem de fatos conhecidos e não significa concordância com as posições políticas do ex-procurador.

 

Hoje, no novo Brasil que nasceu nas entranhas do STF, tudo foi para o já volumoso saco do aspirador de fatos

 

Diante disso, para aqueles que inventam memórias para acomodar os acontecimentos à própria consciência (ou vice versa), vale lembrar: o petrolão foi aquela operação de rapinagem que aconteceu na Petrobras, em reprodução turbinada do mensalão.

Contudo, informa a mais recente narrativa, o petrolão, não existiu. Ladrões engravatados e suarentos confessaram crimes que não cometeram, devolveram dinheiro que não haviam roubado e foram condenados em duas ou mais instâncias judiciais por atos que não praticaram.

Como as pombas de Raimundo Correa, neste melancólico entardecer brasileiro, com alvarás judiciais presos ao bico, “serenos, rufando as asas, sacudindo as penas”, voltam todos à cena política, “em bando ou em revoada”… Valha-nos Deus!

Lembrei-me das pombas e daquilo que mais fazem nos pombais diante da notícia de que a 4ª turma do STJ condenou o ex-procurador Deltan Dallagnol a indenizar o beato Luiz Inácio no valor de R$ 75 mil por apresentá-lo como coordenador da organização criminosa que operou o petrolão.

Se não estou desinformado, procuradores investigam e, quando coletam provas suficientes para formular denúncia ao magistrado, informam o crime e seu autor. Salvo desejo do autor privado, toda ação penal pública é, como o nome parece sugerir, pública.

Portanto, a menos que tudo tenha sido muito mal relatado pela imprensa militante, a condenação do promotor encontra explicação no pacote de sucessivas decisões que descondenaram Lula. A indenização a que Dallagnol está obrigado a pagar é mais uma de tantas decisões judiciais que dão sentido a esta conhecida frase de um discurso proferido por Rui Barbosa no Senado, 107 anos atrás:

 

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

 

*Percival Puggina (77); Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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