Rivais chegam ao clássico de 2022 comandados pelo argentino Mohamed e pelo uruguaio Pezzolano, repetindo um feito de Ricardo Díez e Filpo Nuñez em 1955
Em 2022, Atlético-MG e Cruzeiro buscaram além das fronteiras do Brasil as soluções para o comando dos times. Do lado alvinegro, um argentino. Do lado celeste, um uruguaio. A aposta simultânea em “gringos” é algo incomum em mais de 100 anos de rivalidade. Mais raro ainda é o duelo dos treinadores estrangeiros em um clássico.
Com Antonio Mohamed e Paulo Pezzolano, Atlético e Cruzeiro reescrevem um capítulo que ocorreu apenas duas vezes. Em 1955 (com o uruguaio Ricardo Díez e o argentino Filpo Nuñez) e em 2016 (com o uruguaio Diego Aguirre e o português Paulo Bento), os rivais tiveram, ao mesmo tempo, técnicos de outros países.
Mas apenas em uma oportunidade na história houve o duelo no clássico. Foi há quase setenta anos, com as nacionalidades invertidas: o uruguaio Ricardo Díez, pelo Galo, e o argentino Filpo Nuñez, pela Raposa (em 2016, Diego Aguirre deixou o cargo poucos dias após Paulo Bento assumir a Raposa, curto intervalo em que não houve o confronto).
No dia 7 de agosto de 1955, pelo Campeonato Mineiro, no Independência, para 7.168 pagantes, Ricardo Díez levou a melhor: 2 a 1. Guerino abriu o placar para o Cruzeiro. Murilinho e Tomazinho viraram para o Atlético.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2020/7/t/PDhILSQwCAFATbREX3gA/ricardo-diez-1.png)
Ricardo Díez, treinador uruguaio que dirigiu o Atlético — Foto: Reprodução
Ricardo Díez é um treinador com o nome marcado na história do Galo. Além de ser o estrangeiro que mais vezes dirigiu o time (171 jogos), foi tricampeão mineiro e comandante da equipe na excursão pela Europa em 1950, que valeu o simbólico título de Campeão do Gelo ao clube.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2020/k/x/sycPaKQwqbVBPowMiU9w/filpo2.jpeg)
Filpo Nuñez, ex-treinador do Cruzeiro — Foto: Reprodução
Filpo Nuñez também é o treinador estrangeiro recordista de partidas pelo Cruzeiro: 30, em duas passagens – a segunda em 1970. O time mineiro foi a porta de entrada de Filpo Nuñez no futebol brasileiro. Depois, se tornaria histórico técnico do Palmeiras, na Primeira Academia nos anos 1960.
Décadas depois…
Quase 70 anos depois, a história vai se repetir em um clássico. Atlético e Cruzeiro têm estrangeiros à frente da comissão técnica. Ambos chegaram aos clubes no começo deste ano.
Antonio Mohamed foi anunciado em 13 de janeiro. Desembarcou em Belo Horizonte três dias depois e deu início à era do estiloso “El Turco”, com a missão de manter o clube na trilha dos campeões, uma vez que, em 2021, com Cuca, o Galo ergueu as taças do Mineiro, do Brasileiro e da Copa do Brasil.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2022/1/0/iAkCBJT1eCPh7BPYtAXA/agif22012915482662.jpg)
Antonio “El Turco” Mohamed, técnico do Galo — Foto: Fernando Moreno/AGIF
O início é promissor. O argentino foi campeão da Supercopa do Brasil, em cima do Flamengo. Até agora, em nove jogos, foram seis vitórias, dois empates e uma derrota. Pelo campeonato estadual, são oito partidas, seis vitórias, um empate e uma derrota.
Já Paulo Pezzolano chegou à capital mineira no dia 3 de janeiro, à noite, e poucos minutos depois foi anunciado pelo Cruzeiro. O desafio é a reconstrução do clube, que agora tem Ronaldo Fenômeno como gestor do futebol. Investimentos foram reduzidos, o elenco foi reformulado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2022/h/H/qnZpqcTcCAQhVzynWjPg/fleqgvzxoau6tew.jpg)
Paulo Pezzolano, treinador do Cruzeiro — Foto: Divulgação/ Cruzeiro
Um primeiro objetivo foi atingido: a classificação à segunda fase da Copa do Brasil, assegurando, além da vaga, importante cota financeira. Ao todo, são nove jogos, sete vitórias, um empate e uma derrota. Suspenso, Pezzolano não poderá ficar no banco de reservas no domingo. O auxiliar Martín Varini, também uruguaio, vai substituí-lo à beira do gramado.
No Campeonato Mineiro, o desempenho de Pezzolano é semelhante ao de Turco Mohamed: em oito rodadas, são seis vitórias, um empate e uma derrota. A diferença, a favor do Atlético, está no número de gols marcados (17 contra 14) e gols sofridos (4 contra 6).
Isso faz com que o clássico deste domingo coloque em jogo a liderança do Estadual, restando, após a partida, apenas duas rodadas para o fim da fase de classificação.
Fonte: Globo Esporte




