Como combater a cultura de violência na Universidade

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Experiments in the laboratory

Para combater a violência, primeiro é preciso compreendê-la. A violência é qualquer atitude que fira direitos básicos dos seres humanos e não humanos. Nas relações interpessoais podemos encontrar as violências física, verbal e moral. Já no contexto sistêmico, é possível identificar a fome, a competitividade, a desigualdade, o desmatamento, a poluição e tudo mais que contribui para o adoecimento do planeta.

Qual é a causa da violência? A raiz da violência é intrapessoal. Ela é sustentada por crenças que apoiam a desvalorização da vida. Por exemplo: acreditar que alguém ou um grupo é melhor ou pior que o outro, que nós ou o outro não temos direito à escolha, ou negar nossa responsabilidade em relação ao cuidado com as pessoas e o planeta. Esse tipo de crença justifica atitudes pessoais de violência e vira uma violência cultural quando tais ideias são passadas de pessoa para pessoa.

Como ela ocorre? Em atos diretos: na forma de agressão, vingança, punição, chantagem, ameaça, etc.; e em atos indiretos: na exclusão das pessoas ou pela repressão de seus sentimentos e vontades.

Para que ela é usada? Sobretudo, quando alguém aparenta ou faz algo que não toleramos ou mesmo quando deixa de fazer algo que queremos, acreditamos que o outro precisa mudar para as coisas melhorarem, do nosso ponto de vista. Então, a violência é usada para impor uma mudança no comportamento do outro, sobrepondo sua liberdade e sentimentos.

Ela corrige comportamentos? Ante à violência, alguns podem se defender ou revidar o ataque que sofreram. Outros podem se moldar para evitar o sofrimento. Mas, moldar-se não significa entender a motivação do outro, evitar o sofrimento não significa respeitá-lo, afastar-se de alguém não significa apoiar seus atos. Logo, a violência não promove um convívio sadio.

Há alternativas? Iniciativas que promovam a humanização contribuem para tratar essas violências em sua raiz. Por serem estratégias educativas, elas têm resultados de longo prazo. Se trabalhadas em rede, são capazes de abranger casos de violência cultural, que são em geral velados e naturalizados (veja exemplos em leia mais). Por isso, é fundamental que as unidades acadêmicas e administrativas trabalhem conjuntamente em prol dessa transformação. Experiências, ideias e sugestões de práticas restaurativas e humanizadoras poderão ser compartilhadas e encontradas na Rede para Humanização das Universidades.

(*) Helena de Oliveira é doutora em Tecnologias Química e Biológica.

(*) Bruno Goulart de Oliveira é mestre em Engenharia Elétrica e graduado em Engenharia de Computação pela PUCRS.

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