“Automedicação pode levar à morte”, por José Carlos Rosa Pires de Souza

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“A automedicação é a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, para tratamento de doenças cujos sintomas são “percebidos” pelo próprio usuário, sem a avaliação prévia de um médico, odontólogo e outros profissionais de saúde capacitados”. Portanto, não há um diagnóstico adequado para aquele situação, sendo que o usuário assume o risco; isto é um problema de saúde pública corriqueiro e de extrema preocupação, podendo ser fatal.

É imprescindível que as pessoas saibam que todo medicamento que entra no organismo humano age no mesmo; assim como, o organismo age sobre este medicamento. A estes dois mecanismos chamam-se, respectivamente, de farmacodinâmica e farmacocinética. Isto vale para todos os tipos, características, doses e funções de medicamentos, podendo ser este um fitoterápico, um floral, um remédio alopático ou homeopático.

Todos os alimentos, líquidos, medicamentos, entre outros, de qualquer natureza, não deixam de ser elementos estranhos ao organismo humano, que de alguma forma terão ações sobre ele, assim como reações também serão previstas. Daí a necessidade de sérios cuidados éticos e profissionais na dispensação de medicamentos nas farmácias, hospitais, serviços públicos de saúde e demais órgãos, no sentido da responsabilização da prescrição dos mesmos. Quando um médico dá a receita de um medicamento, desde os mais simples e inofensivos aparentemente, ele torna-se o responsável pelos efeitos benéficos e colaterais daquele produto. O médico em questão está habilitado e capacitado para aquele ato; se algo der errado a responsabilidade é sua. Entretanto, quando este seu paciente compartilha este medicamento com terceiros (parentes, vizinhos, entre outros) a responsabilidade é sua; ele assume o risco da automedicação e de possíveis efeitos colaterais e reações adversas, que podem culminar até com a morte.

Pequenos exemplos de automedicação nestes tempos de pandemia tem sido o uso de produtos, não comprovados cientificamente, para a prevenção e tratamento da COVID-19. Entre eles estão alguns vermífugos, antibióticos, corticoides, cloroquina e tantos outros, que só deveriam ser prescritos nas suas devidas indicações médicas, comprovadas em bula e pela ciência.

A sociedade em geral precisa se conscientizar que cada organismo humano é diferente do outro, mesmo que se tratem de indivíduos gêmeos monozigóticos, com a cara um do outro. Cada pessoa tem uma sensibilidade diferente da outra (farmacocinética); e até mesmo ela pode desenvolver, em momentos diferentes de sua vida, processos alérgicos aos mesmos alimentos e medicamentos que antes lhes eram salutares. Portanto, pense que o melhor não é se automedicar, mas sim procurar os profissionais de saúde adequados.

(*) José Carlos Rosa Pires de Souza é psiquiatra, PhD em saúde mental, professor do curso de medicina da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e autor do livro “Psicofarmacoterapia e equipe multidisciplinar. 6ªed. Sparta Editora, São Paulo, 2020.

 

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