“E o Flamengo não depende só de si”, por Jandaia Caetano

2
Alexandre Vid/Goal

Estava difícil para o torcedor tricolor acreditar que o São Paulo iria ser o campeão brasileiro 2020. Mesmo com o futebol mais bonito do país – mas não, o Renato Gaúcho não estava tão errado assim – e a bendita consistência defensiva que chegou (aparentemente) pra ficar, o são-paulino pestanejava em acreditar.  Até que o Flamengo derrapou…e não depende mais de si.

Uma década de sofrimento

Após uma década de sofrimento – sim, eu desconsidero o calendário gregoriano nestes casos, e aponto que a década foi de 2.010 até 2019. Afinal soa estranhíssimo que o título brasileiro do Corinthians em 90 faça parte da década de 80. E o primeiro título brasileiro do Flamengo, em 1.980, faça parte da década de 70. Sigo a Organização Internacional de Padronização (ISO). Esta ‘volta’ toda foi para apontar que o excesso de sofrimento aumenta a espera, mas diminui a esperança, mesmo para um clube intitulado como o ‘da fé’.

São Paulo x Flamengo na última rodada

O Flamengo só dependia de si. Bastava vencer o seu jogo atrasado (nada fácil, fora de casa contra o Grêmio) e o São Paulo no Morumbi, na última rodada. Duas pedreiras. Mas a força do melhor elenco do país aliado à eterna desconfiança com o time fazia do são-paulino um ser descrente.

Agora é pra valer

Chegou a 27ª Rodada e a informação que o São Paulo, no meio da disputa por uma vaga na final da Copa do Brasil, pouparia atletas contra o Fluminense, no Maracanã. Do outro lado o Flamengo, fresquinho, após uma semana apenas de treinos e uma virada grandiosa (com um a menos) contra o Bahia, enfrentaria o Fortaleza, na capital cearense. Pois o Flamengo empatou e o São Paulo – que só poupou o lateral Juanfran – venceu. Enfim, o são-paulino verbaliza: “Agora é pra valer”.

Em um país onde tudo muda

Mas nada de euforia. O Brasil é um país onde os ‘conceitos’ mudam a cada semana. O agora ‘exaltado’ técnico Fernando Diniz foi execrado há pouco tempo. Se tivéssemos público nos estádios, Diniz teria caído após as eliminações da Libertadores ou Sul-Americana. A pressão via rede social foi suportada.

Arrancada do Grêmio

Renato Gaúcho e o Grêmio deram uma arrancada impressionante. Dezoitos jogos sem perder foi demais para o ego de Renato: “Jogamos o melhor futebol do país”, disse o técnico. Ele não estava tão errado assim. O Grêmio dominou o São Paulo no 1º turno do Brasileirão (no empate). Jogava bem e vencia nas competições. Bastou a desclassificação para o Santos na Libertadores e de respeitado, Renato se tornou (mais uma vez) um mero falastrão. Tudo muda em uma semana no futebol brasileiro.

Brasileirão é prioridade

Este colunista – são-paulino que é – temeu a informação de que Diniz pouparia o time. Apesar de a Copa do Brasil ser uma pedra no sapato do clube, ela é uma competição secundária (mesmo com a importância econômica). Está no mesmo patamar da Sul-Americana. Primeira prateleira é para Mundial, Libertadores e Brasileirão. A 27ª Rodada foi a do título para o São Paulo: “Não perde mais”, diria Téo José, narrador do SBT.

Jandaia Caetano, 42 anos, é jornalista desde 1.998 e associado da ACEMS (Associação dos Cronistas Esportivos de Mato Grosso do Sul).  

A reprodução está autorizada com os devidos créditos: Jandaia Caetano/Sobrinho News.

 

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui