Artigo – Verdades difíceis de serem ouvidas

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Qual o significado da palavra, qualquer palavra? Acredito que seja costurar e dar. Costurar relações entre as pessoas e dar voz à elas. Seja aquela pessoa que tem voz diante da hipocrisia, da mentira, do desrespeito. Sim, fale, escreva, manifeste-se à favor da verdade e contra os preconceitos advindos da ignorância. Muitas vezes você precisa fazer barulho se quiser ser ouvida.

Dizem que o conhecimento é imprescindível, te deixa mais sábio. Na minha opinião, o conhecimento te deixa mais triste. Quanto mais você conhece, mais você se perde, porque conhecer não tem nada a ver com fazer o certo, não é ser melhor do que ninguém, não tem a ver com receber prêmios e alimentar o ego com a reverência do outro. Conhecer é aceitar que não sabemos absolutamente nada.

Estes dias, participando de uma reunião, eu presenciei adultos, homens e mulheres de quase sessenta anos, outros mais, falando sobre a necessidade de contar uma mentira em determinadas situações, “mentir” para algumas daquelas pessoas seria apenas um ato para se chegar à um fim.  Não sei descrever se fiquei chocada ou triste, talvez as duas coisas, imaginava que pessoas com esta idade já achassem essencial viver sem fingir e falar sem ofender. Apesar da minha pequenez como ser humano, aprendi que a mentira nunca é algo bom, por mais inocente que aparente ser, ela vem sempre carregada de falsidade, decepção e mediocridade. Percebi então, que o tempo desmascara as aparências, revela intenções e expõe o caráter, quer dizer, a falta dele. Pequenas mentiras geram grandes decepções.

Tem uma parábola Judaica muito antiga e muito atual, que exemplifica muito bem a sociedade em que vivemos: Certo dia a Mentira e a Verdade se encontraram. A Mentira disse para a Verdade: “Bom dia, dona Verdade.” E a Verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e, vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a Mentira: “Bom dia, dona Mentira.” “Esta muito calor hoje, disse a Mentira.” E a Verdade, vendo que a Mentira falava a verdade, relaxou. A Mentira então convidou a Verdade para se banhar no rio. Despiu-se, pulou na água e disse: “Venha dona Verdade, a agua esta ótima.” E, assim que a Verdade, sem duvidar da Mentira, tirou suas vestes e mergulhou… a Mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da Verdade e foi embora. A Verdade, por sua vez, recusou-se a vestir-se com as roupas da Mentira e, por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar. E, aos olhos de outras pessoas, era mais fácil aceitar a Mentira vestida de Verdade, do que a Verdade nua e crua.

 

Psicopedagoga/Terapeuta – Equoterapeuta/ Equitadora – email: denicaramori@hotmail.com

 

Fonte: DouradosNews

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