Profissionais da Saúde debatem angústias da Covid 19 durante evento da Sociedade Psicanalítica de MS

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Mais de 150 profissionais de saúde se reuniram na noite desta quarta-feira (17), para debater as angústias, medos e estresses vivenciados pelos profissionais de saúde que atuam na linha de frente contra a Covid-19. O encontro, intitulado “Por Trás das Máscaras”, foi promovido pela Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul (SPMS) e contou com a presença do médico infectologista Rivaldo Venâncio, do enfermeiro Tiago Amador e da psicanalista e presidente da SPMS, Catia Codorniz.
Rivaldo Venâncio, que é doutor em medicina tropical, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FAMED/UFMS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirmou que não se pode subestimar o sofrimento. “Há estudos que mostram a escalada do suicídio, da violência doméstica, do alcoolismo e da depressão neste período de pandemia e distanciamento social. O fato é que estamos diante de uma crise humanitária sem precedentes e precisamos ter cautela e serenidade”.
Já o enfermeiro Tiago Amador, mestre em ensino em saúde, responsável técnico da Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU/UFGD) e preceptor da residência multiprofissional do HU/UFGD, buscou evidenciar o cotidiano vivido pelos profissionais da linha de frente e ressaltou: “a gente vem observando um grau de entristecimento nas equipes. Seja pelo distanciamento social, seja pela angústia de perder o paciente e ver a família sem poder se despedir do ente querido, ao mesmo tempo em que vem aquela coragem interna de exercer sua profissão e cumprir a missão de fazer o possível para devolver o ente querido com saúde para a família”.
De acordo com a presidente da SPMS, Cátia Codorniz, cada pessoa tem um limite diferente para reagir em meio a um acontecimento traumático como a Covid-19. “O alicerce das maneiras particulares de cada um reagir terá sua origem nas vivências traumáticas iniciais, e a maneira que cada indivíduo se defende destas dores também determinará o futuro pós pandemia”.
Cátia explicou ainda que a SPMS está lançando mais um projeto: o Atendimento Humanitário Emergencial Gratuito para Grupos de Profissionais de Saúde nos Hospitais de referência para a Covid-19. “Tanto a palestra quanto o atendimento humanitário se baseiam na premissa de que a possibilidade de entender os próprios sentimentos, conflitos e o reconhecimento da situação traumática que estamos vivendo oportuniza um trabalho de equipe mais eficiente, cooperante e,  consequentemente, uma maior segurança no trabalho, menor estresse e aumento da autoimunidade”.

Ariadne Carvalho
Abaetê Comunicação
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