Daniel Alves comenta manifestações contra racismo no esporte

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Foto: Divulgação

Daniel Alves, capitão do São Paulo e da seleção brasileira, concedeu uma entrevista à CNN Brasil para comentar as recentes manifestações antirracistas feitas por várias estrelas do esporte. Depois da morte do ex-segurança George Floyd, em Minneapolis, nos Estados Unidos, atletas mundialmente famosos, como LeBron James, Michael Jordan e Lewis Hamilton, se posicionaram contra o racismo – alguns até foram às ruas para protestar.

O jogador do São Paulo deu sua visão sobre o assunto, disse que é contra generalização de que todos os brancos são racistas e pediu mais humanidade e atitude às pessoas para lidar com o problema.

“É uma preocupação muito grande, porque o racismo está em todos os lugares, infelizmente. Às vezes precisa chegar no extremo para tomar certos tipos de providência. Tem que ser abominado todo e qualquer tipo de racismo. Não acredito que todos os brancos são racistas, então tem que focar na punição das pessoas que estão envolvidas, não generalizar”, disse o camisa 10, que falou também as manifestações pelo mundo.

“Todo protesto pacífico é bem-vindo para o ser humano evoluir e crescer nas lutas. Não aproveitar de certo tipo de situação para gerar violência, ódio ou outro tipo de interesse que não está dentro da causa. Infelizmente tivemos que chegar ao extremo para as manifestações”.

Daniel Alves já foi vítima de racismo, quando defendia o Barcelona, em 2014, e viu um torcedor do Villareal atirar uma banana em campo para provocá-lo. O gesto do jogador brasileiro foi de comer o alimento. Hoje, ele explicou o que pensou na época.

“Eu vivi essa situação de perto, mas não quis me supermanifestar sobre isso para não dar uma maior importância do infrator. Quis combater de outra forma. O ódio não pode ser combatido com ódio, tem que ser combatido com amor. Se colocar o seu ódio para fora, está se igualando ao infrator. Não pode ser extremista. Tem que punir as pessoas que são preconceituosas, que são racistas”, afirmou.

“As pessoas estão perdendo o sendo de humanidade. A base de tudo é o respeito. Tanto é que, nos Estados Unidos, as grandes estrelas são negras. A convivência entre pessoas negras, brancas ou qualquer opção sexual deve ser respeitada. Tem que aprender a viver humanamente, amando as pessoas e aceitando como elas são. O sol brilha para todo mundo. As pessoas precisam só pegar o seu raio e brilhar com a luz própria”, disse o jogador, que cobrou mais atitude para resolver o problema.

“O que as pessoas precisam entender é que, se ficarem na rede social ou não se manifestaram, não vão combater nada. Hoje tem muito ‘pray’ para qualquer tipo de coisa, mas as pessoas não fazem nada. Tem que ficar sempre com as ações das pessoas, com as lutas que elas enfrentam quando os outros não estão vendo. Se colocar na internet que a vida negra importa, eu não estou de acordo. Para mim, as vidas importam. Seja negra, branca, lésbica, gay, qualquer vida é importante. Deveriam punir os infratores, se não começa a generalizar”, afirmou.

“As pessoas não podem achar que tudo é se posicionar na rede social, ou vir falar aqui. Não, tem que praticar isso. As pessoas se confundem nesse aspecto. Precisa tomar atitudes e punir infratores, essa é a solução. Porque se não vira uma demagogia, uma campanha sem fundamentos. Para mim, a atitude da esposa desse infrator, de ter pedido o divórcio, é uma grande atitude. Eu não quero estar com racista. Essa é uma atitude valiosa para mim. Senão é muito fácil você colocar uma postagem e achar que seu trabalho está feito. Não, seu trabalho está feito quando você executa”.

 

Fonte: ESPN

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