Depois de 30 dias em coma, despedida ensinou família que amar é também deixar ir

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Vanderlúcio é lembrado pelo sorriso fácil e alegria com que é registrado nas fotos (Foto: Aquivo pessoal)

“Depois que tudo aconteceu, eu ainda não tinha mexido nas coisas dele, peguei as fotos pela primeira vez ontem à noite”, explica Maralúcia Pereira Dias, de 62 anos, com um envelope amarelo em mãos. Dentro, imagens de Vanderlúcio Pereira Dias, um bebê saudável e risonho, que cresceu para se tornar um homem cheio de vida, mas que se despediu da família como “um passarinho, que se vai aos poucos”, depois de passar os últimos 30 dias em coma na Santa Casa.

Ela e o marido, Vanderlei Dias, de 66 anos, percorreram cerca de 100 km do sítio da família em Dois Irmãos do Buriti até Terenos, onde concordaram em receber a equipe de reportagem em uma manhã de sol que as nuvens tornaram rapidamente cinzentas, assim como o dia em que o filho partiu.

Em coma, a 3 dias da despedida, os médicos pediram uma reunião com a família. Sem reação ao medicamento e sem conseguir respirar sozinho, a opção de desligar os aparelhos deveria ser considerada. No dia em que a conversa foi marcada, ele se foi de maneira natural e sem fazer alarde, como quem adormece. A decisão nunca precisou ser tomada, para os pais nunca foi uma possibilidade antecipar a partida, que aconteceu no tempo dele. Vanderlúcio parece ter esperado que aqueles ao redor dele entendessem que amar é também deixar ir, dizendo adeus aos poucos.

Desde pequeno os registros de Vanderlúcio mostram uma criança saudável e cheia de energia (Foto: Arquivo pessoal) Desde pequeno os registros de Vanderlúcio mostram uma criança saudável e cheia de energia (Foto: Arquivo pessoal)

Vanderlúcio aprendeu a jogar bola assim que foi capaz de se equilibrar nos próprios pés (Foto: Arquivo pessoal)Vanderlúcio aprendeu a jogar bola assim que foi capaz de se equilibrar nos próprios pés (Foto: Arquivo pessoal)

O rapaz, além da genética, carregava os pais no próprio nome, Vanderlúcio, uma junção de Vanderlei e Maralúcia. Nascido no aniversário de 11 anos de casamento dos pais, foi um presente para o casal. Lembrado pelo sorriso no rosto, presente em todas as fotos, herdou do pai o gosto pelo futebol e o laço cumprido, além do amor pela vida no campo, a força com que carregava as dores e o cansaço provocados pelo diabetes.

Diagnosticado aos 14 anos com diabetes do tipo 1, em uma época em que não se falava do tratamento como hoje, os médicos “previam” que o menino chegaria no máximo aos 25 anos, se tivesse sorte. Ainda assim, ele nunca se deixou definir pela doença contra a qual não cansava de teimar. “Eu nunca imaginei que o Vanderlúcio poderia ter diabetes, para mim essa era uma doença de adulto. Ele sempre foi uma criança muito alegre, dos três filhos, ele era o mais espoleta, até os machucados dele não demoravam para sarar e como ele ia de bicicleta para a escola e a única coisa que ele reclamava era uma dor de cabeça e cansaço”, conta Maralúcia.

Fonte: campograndenews

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