“Perdi o chão”, diz em julgamento homem acusado de matar filho adotivo

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“Eu perdi o chão, estou sofrendo muito”, foi o que declarou à 1ª Vara do Tribunal do Júri Getúlio Pereira de Oliveira, 70, julgado nesta sexta-feira (22) pelo homicídio do filho adotivo Paulo Pereira de Oliveira, 39, crime que ocorreu no dia 1 de novembro de 2014. Ele negou que as agressões que levaram Paulo a morte 15 dias depois do crime foram cometidas com intenção de matá-lo.

A vítima ficou até o dia 16 de novembro de 2014 internada na Santa Casa em Campo Grande, em coma. “Nunca [intenção de matar], Deus me livre, de jeito nenhum”. “Eu perdi o chão, estou sofrendo muito, abandonado, sem contato com a família, com uma tristeza no peito”, disse Getúlio ao juiz Fábio Henrique Calazan Ramos.

O crime aconteceu no bairro Jardim Santa Emilia, na casa onde a família vivia. Local que foi palco, segundo as investigações, de várias agressões e animosidades entre Getúlio e o filho adotivo. O acusado adotou os dois filhos não biológicos da companheira com quem era casado, e os casal ainda teve outro filho.

Segundo a promotoria, Paulo vivia em uma casa separada, mas à época do crime, precisou voltar para a casa da mãe e foi abrigado em um quarto que Getúlio utilizava como depósito de materiais. No dia das agressões, depois do almoço, Getúlio conta ter percebido que Paulo descartou todas os materiais que estavam no quarto.

Foi esse o motivo do início da discussão. Para o juiz, Getúlio disse ter sentido medo de apanhar porque já havia sido agredido pelo filho com capacete. Ele se muniu de um pedaço de pau e quando Paulo estava virado de costas, agrediu a vítima.

O promotor Thiago Barbosa da Silva afirmou que as marcas das “pauladas” estavam por todo o corpo de Paulo, que sofreu várias fraturas, incluindo quebra das costelas. Durante as audiências, a mãe da vítima declarou que Getúlio ainda tinha intenção de usar um machado para atingir o filho.

“Agora vou pegar um machado e cortar o pescoço dele”, citou o promotor, ao lembrar do depoimento da ex-esposa de Getúlio. Ela então conseguiu dissuadi-lo, ao dizer que chamaria outro filho para intervir. Com medo de ser agredida, chamou um vizinho que acionou socorro e polícia.

“Ele nunca me bateu, mas me xingava e ameaçava, agredia com palavras”, lembrou o promotor, do depoimento da ex-companheira do acusado. Ela declarou, durante as audiências, ter sentido medo de ser morta por ele.

Fonte: Campograndenews

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