Sexta fase da Operação Lama Asfáltica bloqueou R$ 22 milhões de investigados

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Esquema de desvio de lavagem de dinheiro, com envio de recursos para o Paraguai, levaram três para prisão por tempo indeterminado. Um ainda é considerado foragido. Além das prisões, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos e R$ 22 milhões em bens bloqueados, durante a 6ª fase da Operação Lama Asfáltica, deflagrada nesta terça-feira (27).

Romilton Rodrigues de Oliveira teve prisão decretada e ainda está sendo procurado pela Polícia Federal. Ele é suspeito de repatriar R$ 4,1 milhões em nome próprio, mas, segundo as investigações o dinheiro seria pertencente a João Baird, preso nas primeiras horas da manhã.

A Justiça Federal ainda determinou que outros R$ 721 mil referentes a sua participação societária na empresa Ganadeira Carandá Sociedade Anônima sejam bloqueados. O valor total bloqueado de suas contas chega a R$ 6,5 milhões. Romilton seria laranja de Baird e ex-funcionário da sua ex-esposa.

Em 2013, Romilton teria declarado apenas R$ 13 mil, mas um acréscimo de bens de R$ 23 mil para R$ 617 mil, oriundos da doação de uma fazenda ao seu pai e uma dívida de R$ 250 mil com o empresário João Baird chamou a atenção da Polícia Federal. Depósitos, pagamentos e cheques de R$ 35 mil em 2009, R$ 40 mil em 2010 e R$ 80 mil em 2011 de Baird para o funcionário e a compra de uma fazenda no Paraguai em nome de ambos revelou o esquema.

Todo o elo entre o empresário e o funcionário, que tornou-se seu laranja, foi descoberto pela Polícia na segunda fase da Operação Lama Asfáltica, a partir de um extrato bancário em nome de Romilton que estava na casa de Baird, apontado como proprietário das empresas Itel Informática, PSG Tecnologia Aplicada, Digitho Brasil Soluções em Software, atual Digix, e Mil Tec Tecnologia da Informação.

Baird, por sua vez, teve R$ 8,4 milhões bloqueados pela Justiça Federal, valor correspondente a soma de seus ‘testas de ferro’ no suposto esquema. André Luiz Cance, ex-secretário adjunto da Sefaz, levaria dinheiro a Baird por meio de compras de imóveis, atuando em conjunto com Antônio Celso Cortez, também presos nesta fase da Operação.

Cance teve R$ 4,9 milhões bloqueados, referentes a um imóvel avaliado em R$ 2,2 milhões e uma fazenda, de R$ 2,7 milhões. Já Cortez teve R$ 1,9 milhão bloqueados, valor correspondente ao remetido ilegalmente ao Paraguai entre junho de 2017 e setembro do mesmo ano, conforme apurado pela CGU (Controladoria Geral da União).

Busca e apreensão e envio de recursos para o Paraguai

Além das prisões, 25 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, além do sequestro de valores nas contas bancárias dos alvos e empresas investigadas. Nesta fase, as investigações foram baseadas nas remessas clandestinas de valores para o exterior feitas por proprietários de empresas de informática investigadas nas fases anteriores da operação.

Mandados também foram cumpridos em Dourados, Jaraguari, em fazenda de propriedade de Baird e em comércio do município de Paranhos.

Em coletiva, a Polícia Federal esclareceu que as buscas e apreensões realizadas em Paranhos, Dourados e Jaraguari teriam por finalidade coletar documentos para saber se essas empresas seriam utilizadas para recebimento de verbas ou encaminhamento de dinheiro para o exterior.

No último, agentes vasculharam casa e escritório do empresário Emerson Rufino e em um supermercado de sua propriedade. Emerson, Novo Supermercado e Top Line Trading e Participações são suspeitos de receber dólares com ‘aparência’ de compensação de créditos em favor de Antônio Celso Cortez.

A relação de Felix Jayme Nunes da Cunha, lotado no gabinete do conselheiro Osmar Jerônimo no TCE (Tribunal de Contas do Estado), com o filho do ex-governador André Puccinelli (MDB), André Puccinelli Júnior, também seria investigada como desdobramento de fases anteriores da Operação.

Ele teria feito empréstimos ao advogado em valores considerados elevados e acima de sua capacidade financeira, além de sociedade com ele na empresa SET CG. Documentos vinculados a ele teriam sido encontrados na casa de Puccinelli Junior. Sua conta bancária teria sido utilizada para mascarar repasses da Itel ao grupo. Seu escritório de advocacia também seria usado para receber recursos fruto do esquema.

Agentes também vasculharam dois endereços da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) em busca de documentos para embasas as investigações. Estrutura e servidores da secretaria teriam supostamente sido usados na prática dos crimes investigados.

(Com Evelin Cáceres e Richelieu Pereira)

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