Deputado aecista e pró-Temer vai relatar 2ª denúncia contra presidente

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O deputado governista Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) foi anunciado na tarde desta quinta-feira (28) como relator, na Câmara, da segunda denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer.

Aliado do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), Andrada, que tem 87 anos, teve a escolha comemorada por governistas e ampliou o racha interno no PSDB.

O partido se divide sobre a permanência ou não ao lado de Temer. Para aliados do presidente, o trabalho do Palácio do Planalto para reverter no Senado a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou Aécio do mandato será compensado com um relatório favorável de Bonifácio.

“O governo queria alguém que tivesse uma capacidade técnica para fazer um relatório em cima de uma denúncia que, na minha opinião, é inócua”, afirmou o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos principais aliados de Temer, logo após o anúncio.

Após o peemedebista e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) –também alvos da acusação– apresentarem suas defesas, o relator formulará um parecer na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

O parecer da CCJ servirá de base para a votação definitiva, a do plenário, que deve ocorrer na semana do dia 25 de outubro, de acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para que o Supremo Tribunal Federal seja autorizado a analisar a denúncia é preciso o voto de pelo menos 342 dos 513 deputados.

O relator do caso foi escolhido pelo presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).

Temer é acusado de obstrução da Justiça e participação em organização criminosa que teria recebido ao menos R$ 587 milhões de propina.

Na primeira denúncia, em que era acusado de corrupção, o peemedebista conseguiu congelar o caso com o voto de 263 deputados (outros 227 foram favoráveis ao seu prosseguimento). Nessa ocasião Bonifácio Andrada deu o 82º voto a favor do relatório pró-Temer.

“Senhor presidente, voto ‘sim’, a favor das instituições e do progresso do Brasil”, afirmou.

Na CCJ, Andrada foi mais enfático. Disse, por exemplo, não ver problema no encontro, sem registro oficial, entre o presidente da República e Joesley Batista. E que Temer foi gravado pelo empresário de forma “imoral”.

Ele condenou também a delação “altamente premiada” do empresário. Disse que ela “desenvolveu-se de forma incorreta, não obedeceu às determinações legais da própria lei que regulamenta a matéria”.

“A delação não só é incorreta, mas também cheia de dúvidas. Não é uma delação que merece total compreensão e total justificação, ela é falha.”

SUPLENTE

Bonifácio de Andrada não integra a lista de titulares da CCJ, o que pode resultar na curiosa situação de ele não conseguir votar a favor de seu relatório, no caso de todos os titulares votarem.

Em seu décimo mandato na Câmara, o tucano foi um dos que reforçou o discurso contra a Lava Jato durante a tramitação da primeira denúncia: “A Câmara é a representação do povo. Os deputados não são santos porque o povo também não é santo”, disse à Folha em julho.

O deputado começou na vida pública na Arena, o partido de sustentação política ao regime militar (1964-1985). Em 1984, foi um dos parlamentares que se ausentaram na votação da emenda que estabeleceria eleições diretas, o que contribuiu para a derrota da proposta.

Advogado e professor universitário, integra uma tradicional família de políticos, a linhagem de descendentes de José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos principais articuladores da independência do país.

Dentro do PSDB, ele faz parte da ala de Aécio e, ao lado do correligionário e de ministros como Antonio Imbassahy (Governo) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores), defende a permanência do partido no governo. A ala favorável ao desembarque é liderada pelo grupo do governador Geraldo Alckmin e é composta por vários dos deputados chamados de “cabeças pretas”, como Daniel Coelho (PE).

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