A cada 10 vítimas de agressores em MS, 7 não haviam denunciado crimes anteriores

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Silvana Tertuliano foi morta pelo ex-namorado no Portal Caiobá, em Campo Grande (Foto: Arquivo pessoal)

Relatório do Poder Judiciário sobre os casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul apontam que em 2019 de cada dez vítimas de agressores, sete não haviam denunciado crimes anteriores.

Para a juíza Jacqueline Machado, que respondeu pela Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça de 2017 a 2019, a Lei Maria da Penha é uma das mais modernas no combate a violência contra a mulher e cita que se a Justiça for acionada no tempo correto, vítimas serão protegidas evitando casos de feminicídio.

“Em Campo Grande, a 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, primeira Vara de Medidas Protetivas do Brasil, em média, defere diariamente 20 medidas protetivas, número infinitamente superior ao de feminicídios, comprovando que se quando acionado no tempo certo, o sistema de justiça é sim capaz de proteger a mulher vítima de violência”, destaca.

De acordo com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, no ano passado foram registradas 96 denúncias de feminicídio no Estado, sendo 69% de tentativas.

Destas 96 denúncias, 26% das vítimas registraram pedido de medida protetiva, porém nem todas estavam em vigor na época do crime.

O relatório aponta que dentre estes casos há 72 filhos em comum entre vítimas e agressões. Em 57 dos casos, os filhos presenciaram o crime. O relatório aponta que em 42% dos casos o agressor não aceitava o fim do relacionamento.

“A violência contra a mulher, de forma geral, fundamenta-se no patriarcado, de raízes históricas e culturais que delega aos homens as funções de liderança, de controle, de domínio, de autoridade, tanto no ambiente público como no privado. Assim, ao longo da história, a mulher e os filhos foram considerados parte do patrimônio do patriarca, sendo desprezados suas vontades, resultado em uma cultura que ainda hoje fundamenta os casos de violência doméstica, inclusive os casos de feminicídio”, diz a assistente social Vanessa Vieira, coordenadora de Políticas Públicas de Prevenção da Coordenadoria Estadual da Mulher.

Fonte: Campograndenews

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