Palco da Lama Asfáltica, MS vira ‘cobaia’ da Petrobrás em estudo contra desperdício

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Depois de ser palco de esquema de desvio milionário que levou políticos, empresários e servidores para a prisão com a Operação Lama Asfáltica, Mato Grosso do Sul está servindo como ‘cobaia’ em projeto inserido na Rede de Tecnologia em Asfalto da Petrobrás com o intuito de desenvolver misturas asfálticas que permitam nova técnica para a pavimentação de rodovias.

A pesquisa deve servir como parâmetro para as obras de asfalto em todo o País e é feita por meio de acordo de cooperação técnica entre a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e teve início com a coleta de materiais usados em obras das rodovias no Estado.

Foram definidos dois trechos experimentais para os trabalhos em MS, ambos na BR-419 entre os municípios de Rio Verde e Anastácio. Obra que está sendo feita no local tem extensão de 224 quilômetros e está dividida em quatro lotes. Foram recolhidas pelos pesquisadores amostras em dois pontos do primeiro lote, situado entre a BR-163 no entroncamento com a MS-080. A escolha foi porque no local os trabalhos estão mais avançados.

A rodovia escolhida representa importante trajeto para escoamento de produtos e desenvolvimento de MS, ligando a BR-262 em Aquidauana ao norte do Estado, podendo inclusive ser opção de trajeto para acesso ao Corredor Bioceânico. Na última segunda-feira (2), equipe de engenheiros do Dnit e pesquisadores da UFMS foram ao local e recolheram amostras dos materiais usados na terraplanagem da rodovia. Também estiveram na jazida que fornece cascalho para a camada base da rodovia. Por fim, recolheram amostras do pó de pedra que será usado na massa asfáltica.
Engenheiros e pesquisadores recolheram amostras do material que será usado na pavimentação da rodovia. (Divulgação UFMS)

Os materiais serão analisados e irão compor o PIL (Plano Interlaboratorial) que inclui estudos de diferentes misturas granulares e asfálticas das camadas de pavimento no Estado. As informações serão usadas para alimentar o novo método de dimensionamento de pavimentos, inserido no MeDiNa (Método de Dimensionamento Nacional). Proposto pelo Dnit, ele atualiza metodologia que vem sendo aplicada há décadas na pavimentação das estradas do País.

Com o projeto, a expertise científica será usada para melhorar a malha viária, criando uma composição mais resistente que possa suportar, por exemplo, constante peso de caminhões carregados sem que haja afundamento da pista, como ocorre em algumas rodovias do Estado, como em trechos da BR-262.

Convênio para melhorar o asfalto da Capital

Além do estudo para melhorar a massa asfáltica das rodovias, foi firmado um convênio entre a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a Fapec (Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura) e a administração municipal de Campo Grande como parte de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) formalizado para ‘evitar o gasto do dinheiro público com o excesso de obras de reparação do asfalto’.

O primeiro resultado prático foi o ‘Manual de Manutenção de Pavimentos’, apresentado pelo coordenador-geral do projeto, professor doutor Daniel Anijar de Matos. O documento aponta ‘dicas’ para a Prefeitura tomar medidas anteriores ao tapa-buraco, como selagem de trica, micro revestimento e, só então, partir para a manutenção corretiva.

O professor de engenharia civil da UFMS explica que o processo de formação do buraco das vias acontece de baixo para cima. “Fissuras e trincas são perceptíveis no asfalto e, se forem seladas, podem prolongar o tempo do asfalto, fazendo com que o tapa-buraco demore mais para passar por aquela via”, explica.

De acordo com Matos, não resolve o problema da cidade, mas melhora a condição das vias. “A água é inimiga da fissura e provoca o desgaste. Por isso que, quando chove, aparecem os buracos. Se há selagem, não entra a água e o buraco é evitado”.

O resultado imediato da adoção das medidas seria a redução drástica nos valores milionários dragados dos cofres municipais nas últimas décadas e a melhoria na qualidade das ruas campo-grandenses.

A pergunta que tanto incomoda os campo-grandenses ainda não pode ser respondida. Segundo Daniel, as pesquisas em laboratório ainda não foram feitas. “O convênio terá uma duração de 24 meses e, até lá, teremos essas respostas”, explica.

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