Projeto que usa mosquitos para combater dengue começa nova fase

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Arquivo/Correio do Estado

Uma nova etapa do método Wolbachia, que pretende neutralizar a transmissão da dengue, zika e chikungunya utilizando o próprio vetor da doença, o mosquito Aedes Aegypti, deve começar na próxima semana, anunciou a Prefeitura de Campo Grande.

Nessa fase, os agentes de saúde serão capacitados sobre como orientar a população e explicar o trabalho realizado.

A primeira etapa desse projeto aconteceu há aproximadamente dois meses, quando foram coletados mais de 9 mil ovos do mosquito e enviados para a sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro (RJ). Lá, eles foram infectados com a bactéria wolbachia, que existe em boa parte dos insetos, mas que não é comum no Aedes.

A partir da semana que vem, os agentes comunitários passarão por capacitações para divulgar da forma mais clara possível como que o projeto funciona.

“Os ovos serão colocados dentro da casa do morador e vão eclodir lá, então a gente precisa dessa conscientização”, explicou o chefe de serviço do setor de entomologia, Lourival Pereira de Araújo.

Ele alerta para a importância dessa fase principalmente para que não haja confusão com os moradores. “A gente tem recusa até para a visita dos agentes, imagina quando chegar com um pode cheio de ovos nessas casas”, disse.

PRÓXIMOS PASSOS

Já pensando nas próximas fases, Araújo comenta que a expectativa é que em novembro esses ovos comecem a ser implantados nas residências da do bairro Moreninhas, regiçao sul da Capital. A quantidade e a data exata dependem do retorno da Fiocruz, que irá enviar parte dos ovos infectados para Campo Grande.

Segundo o chefe de serviço, a região dos bairros Moreninhas foi escolhida por ser uma área que não tem muitos outros bairros por perto, o que permite com que o mosquito infectado permaneça no local estabelecido, sendo possível o controle da infestação da população de Aedes Aegypti.

Em seguida será realizada uma nova coleta de ovos para começar o levantamento da população de mosquitos infectados pela bactéria. “Quando a gente começar a capturar os ovos em que quase 100% deles estarão infectados, nós vamos expandir para o resto da cidade”, explicou Araújo.

A Wolbachia é uma bactéria presente na maioria dos insetos (cerca de 60%), como abelhas e borboletas, mas não é naturalmente encontrada no aedes aegypti. Quando implantada no mosquito, ela tem a capacidade de fazer com que o inseto não transmita dengue, Zika e chikungunya, mesmo que o vírus esteja em seu organismo. Mais recentemente, pesquisadores mostraram que ela inibe também a transmissão de febre amarela.

O objetivo de liberar mosquitos com Wolbachia na natureza é fazer com que eles se reproduzam e criem uma nova população de mosquitos que carregam a Wolbachia. Essa nova população, portanto, será inofensiva para os seres humanos. As picadas pelas fêmeas, é claro, continuam acontecendo normalmente, mas não há transmissão de vírus.

Fonte: Correio do estado

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