Construções irregulares em terreno da Homex são derrubadas e moradores se revoltam

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Objetivo era destruir construções desocupadas e fazer recadastramento de moradores, diz Emha

Uma reintegração de posse pegou de surpresa os moradores do terreno da empresa mexicana Homex na manhã desta segunda-feira (13). A chegada das patrolas, por volta das oito da manhã, deixou os moradores preocupados sobre o destino da comunidade.

A reintegração de posse contou com o apoio da Guarda Civil Municipal e a PM (Polícia Militar). Servidores da Emha (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande) estão presente no local, onde efetuam o cadastramento dos moradores. Fiscais da Semadur (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Gestão Urbana) também acompanham a operação.

Eduardo viu no terreno uma saída para a dificuldade no pagamento do aluguel. (Foto: Marcos Ermínio)

De acordo com informações de Enéas José de Carvalho Netto, diretor-presidente da agência fr habitação, o objetivo da operação é a derrubada de casas construídas no terreno, mas onde não há moradores.

“Caso haja apenas um colchão, por exemplo, e não tem móveis nem objetos pessoais, entendemos que a casa não está ocupada e ela é derrubada”, diz. Em locais onde há pessoas morando, a casa é preservada e os moradores fazem um recadastramento na Emha, para que, no futuro, seja feito o reassentamento.

Dona Cleonice e o senhor Valdelino tiveram as casas preservadas, mas ainda se revoltam com a situação. (Foto: Marcos Ermínio)

A construção das moradias irregulares começou há cerca de dois anos, quando os moradores ocuparam um terreno vazio e começaram a levantar as casas. Cleonice Andrade, de 46 anos, é manicure e viu no terreno uma oportunidade de deixar o aluguel. Em janeiro deste ano, ela começou a construção da casa no local, quando fez o investimento de R$ 6 mil. A moradia onde vive com os dois filhos não será destruída, mas a situação não deixa de revoltá-la.

A vizinha de Cleonice, Adriele da Silva tem 19 anos e é diarista. Adriele também teve a casa destruída, mas se revolta com a operação. “Fico impressionada com a frieza com que derrubam a casa e o sonho das pessoas. Passaram aqui, fizeram o nosso recadastramento, mas a gente sabe que não vamos conseguir uma casa tão cedo”, diz. Já o mecânico Valdelino Silva, de 30 anos, explica que, de fato, há pessoas que constroem casas no terreno, mas acabam abandonando. Valdelino investiu R$ 2,5 mil no sonho da casa própria e espera não ter que sair do local.

Operação pegou moradores de surpresa em ocupação irregular. (Foto: Marcos Ermínio)

Enquanto alguns ocupantes respiram aliviados por não terem suas casas destruídas, outros lamentam pelo prejuízo causado pelas patrolas. Adelaide de Oliveira, de 45 anos, está desempregada e chora pela destruição de sua casa. A moradora investiu R$ 4,5 mil para a construção e morava na ocupação há três meses. “Eu não entendo porque a Emha achou que estava desocupada. Estou muito revoltada, investi tudo que eu tinha, peguei dinheiro emprestado do meu filho para construir esta casa”, lamenta.

O acabador Eduardo Recalde, de 35 anos, conta que morava de aluguel com a esposa e os três filhos, até que não conseguiu mais pagar as contas. No terreno da Homex, viu uma saída e construiu uma barraca no local. Hoje ele aguardava pela chegada d o material para a construção de sua casa, mas teve os planos frustrados com a chegada da Emha. “Fui pego de surpresa, derrubaram o meu barraco de tijolo, não sei como vai ser agora porque derrubaram a minha obra que estava começando”, afirma.

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