Liberado para lutar Anderson cita McGregor como possível rival e pensa em revanche com Nick Diaz

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Anderson Silva nunca foi de fazer desafios a possíveis rivais. O ex-campeão peso-médio do UFC sempre esteve do outro lado, mais acostumado a ser desafiado e a se colocar a prova contra adversários que queriam colocar no currículo uma vitória contra ele.

Na última quarta-feira, “Spider” teve anunciada a suspensão de um ano por doping, que lhe permite voltar a lutar a partir de 11 de novembro. No horizonte, como possíveis adversários, cita apenas dois nomes: Conor McGregor e Nick Diaz. Sobre o primeiro, não crê na possibilidade, mas acha viável o duelo com o segundo deles.

– Nunca tive essa coisa de falar com quem eu gostaria ou com quem não gostaria (de lutar), acho que a única pessoa que eu falei em algum momento que gostaria de lutar, de me testar, foi com McGregor, mas acredito que ele não bata 83kg (no peso-médio). Não tenho ninguém em mente, nunca tive essa pretensão de desafiar ninguém. Agora é aguardar. Uma luta que provavelmente seria interessante de ver seria eu e o Nick Diaz novamente, porque aquela luta deu “no contest”. Mas não depende de mim, depende do Nick, do UFC, de muitas outras coisas envolvidas – afirmou o lutador de 43 anos, em entrevista exclusiva ao Combate.

Perguntado sobre a divisão dos médios atualmente, categoria onde reinou de 2006 a 2013, Anderson fez elogios ao dono do cinturão Robert Whittaker. No entanto, ressaltou que ainda há muito o que o australiano fazer para se consagrar.

– São atletas que têm um grande futuro dentro do esporte. O Whittaker é merecedor de estar como campeão. É um garoto novo que está aprendendo muita coisa, e passando por algumas provas de fogo para que se consagre dentro do UFC. Todos os atletas, desde os pesos mais leves aos mais pesados, são de nível. O UFC tem os melhores.

Anderson disse que após o anúncio da decisão da USADA (Agência Antidoping dos EUA) ainda não conversou com o Ultimate. Porém, já deixou claro que uma possível luta terá que se adaptar aos compromissos que têm longe do octógono. Lutar deixou ser uma prioridade na sua vida.

Anderson Silva fez sua última luta em fevereiro de 2017, quando venceu Derek Brunson (Foto: Getty Images)

– Minha vida não parou, continuei fazendo minhas coisas, trabalhando na minha empresa, fazendo meus projetos de cinema, então tenho vários projetos em andamento. Não sei ainda quando vou voltar, tenho vários compromissos com Netflix, com outras empresas na área de cinema, então vamos ver toda a agenda e ver quando vai ser possível lutar. A luta é uma coisa que amo muito, mas não é mais 100% prioridade. É uma coisa que amo fazer, mas que agora é por amor e hobby. Como sempre foi, mas agora mais ainda.

Sem lutar desde fevereiro de 2017, quando venceu Derek Brunson por decisão unânime, Anderson Silva admite uma relação conturbada com o presidente do UFC, Dana White, mas não se vê em outra organização. Com mais três lutas no atual contrato com a organização, ele acredita que terminaria a carreira lutando no Ultimate, mas também não fecha as portas para outras oportunidades.

Após ter pena anunciada por doping e poder voltar a lutar em novembro, ex-campeão dos médios do UFC revela que tem mais três lutas no contrato e que ideal seria encerrar a carreira no Ultimate

– Tenho uma ligação muito boa com o UFC, apesar de bater de frente com o Dana em alguns aspectos. Isso todo mundo sabe, bato de frente mesmo. Não posso reclamar absolutamente de nada. Sou bem tratado lá, toda a estrutura do UFC sempre foi muito generosa comigo. Gostaria de terminar a minha carreira com uma boa relação com o UFC. Não sabemos o que vai acontecer daqui para frente, não falei com o Dana, nem com ninguém do UFC. Vamos ver o que vai acontecer nos próximos capítulos dessa situação toda, mas é aquele negócio: eu gosto de lutar, amo lutar, seja no UFC ou em qualquer outro evento, desde que a gente entre num comum acordo em relação a contrato. Num mundo perfeito, seria legal continuar no UFC, porque é uma empresa que venho lutando há alguns anos. Espero que dê tudo certo.

Anderson também não tem em mente uma data para largar as luvas. Atuando como lutador profissional há 20 anos, desde sua estreia contra Fabrício Camões em 1998, ele se diz fisicamente em alto nível.

Anderson Silva ainda não tem em mente uma data para se aposentar (Foto: Evelyn Rodrigues)

– Em relação à idade, não influencia em absolutamente nada, continuo treinando em alta performance, continuo treinando de igual para igual com todos os atletas com quem treino todos os dias. Treino com atletas mais novos que estão no UFC, como o Kalil Rountree, que acabou de ganhar no UFC. Estou sempre treinando com a rapaziada, tentando me testar em alto nível. É aguardar e esperar o que o UFC vai decidir e ver com minha equipe, e ver o que vai valer à pena.

Em 2013, quando perdeu o cinturão para Chris Weidman, Anderson Silva começou a falar sobre aposentadoria. A pressão era grande por parte da família. O mesmo assunto voltou quando fez a revanche com o americano e fraturou a tíbia e quebrou a fíbula. E mesmo depois de voltar e lutar com Nick Diaz, esposa e filhos o pediam para parar. Hoje, ele garante que todos já compreendem seu desejo de seguir adiante.

– Depois da minha lesão, a gente conversou muito, expliquei tudo o que estava acontecendo em relação a minha vida, o que eu sentia em relação à luta e todos entenderam, sabem que é uma coisa mais forte do que eu, está dentro do meu coração. Apesar da minha vida ter tomado outras direções – estou com minha empresa crescendo muito, trabalhando na indústria de cinema, projeto com Netflix, roteirizando meus filmes -, ainda gosto de lutar, tenho essa paixão, esse desejo. Tudo vai se encaixar de acordo com essa minha vida de fora da luta, com a minha empresa, com os compromissos fora da luta. Vamos ver se a gente consegue adaptar e fazer as duas coisas.

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